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Coparentalidade: do desejo, planejamento à responsabilidade

Quando pensamos em família, logo um conceito chave surge, a ideia de diversidade. Isso porque dificilmente um conceito está desvinculado ao outro. Ao contrário. Faz todo sentido compreendermos a família pelo prisma social, cultural, históricos, ético, religiosos e sexual. É equivocado adotar um único ponto de vista, mas entender que família é diversificada e compõe-se por esta diversidade.

 

O olhar para a diversidade sugere conceitos como multiplicidade, pluralidade, variedade, mas também, diferenças e possibilidades. A diversidade se permite à possibilidade de escolher, permite a liberdade de optar e deslocar-se, ao invés de permanecer no mesmo lugar ou no lugar comum. Diversidade flerta com a autonomia, pois legitima a diferença ao invés da conformidade.

 

Uma família que vive a diversidade é uma família feliz porque contempla as diferenças do outro, assume seus espelhos e reflexos. Refletir o outro é assumir que ele existe e, portanto, legitimá-lo. Este, talvez, o principal elo de amor entre os membros desta família, reconhecer este outro.

 

Uma modalidade familiar que cresce significativamente é a família coparental que, além de elevar o conceito da diversidade, rompe paulatinamente com os reducionismos, estigmas e engessadas mentalidades tradicionais e conservadoras do que pode ser uma família.

 

Uma coparentalidade que pauta-se numa relação de equidade e cooperação entre dois adultos aos cuidados, zelo e educação ao filho. Equidade que pressupõe respeito às possibilidades e limitações dos pais, sem considerar a igualdade entre eles, até porque as diferenças devem ter visibilidade, mas tudo isso sem diminuir a responsabilidade dos pais quanto à dedicação à criança.

 

Esta equivalência de responsabilidades e compromisso é estabelecido por aqueles que escolhem a coparentalidade, assim, igualmente, a maneira como este filho será concebido. Este é um princípio norteador da coparentalidade responsável e planejada. O mote não é o envolvimento amoroso do casal, que pode até se desenvolver com o convívio, mas primordialmente, o protagonismo é o encontro entre duas pessoas que desejam e se planejam para ter um filho e concretizar seus papéis de pais. Reconhecer-se como pai é uma construção no qual a chegada do filho afirma esta identidade familiar.

 

Se tivéssemos que admitir um tradicionalismo, que seja tradicional a paternidade e a maternidade a quem de fato queira assumir o amor, carinho e o compromisso em cuidar do filho. Que seja tradicional o respeito mútuo entre os pais. Que seja tradicional que outras famílias possam emergir. Que seja tradicional que a sociedade não fique enclausurada à normatizações e normalizações que só servem como mordaças e correntes.

 

Se os dogmas religiosos que circundam a família, as regras sociais que procuram sistematizá-la, as normas que buscam enquadrá-la a leis e poderes de grupos privilegiados e que não admitem os diferentes formatos, é sempre bom dizer que, as outras famílias sempre existiram e existem. Estão cada vez mais empoderadas e autônomas. Conquistam direitos e se afirmam através da diversidade de relações, afetos e linguagens. Estabelecem formas múltiplas de amor e demonstram que a pluralidade é a melhor forma de amar.

 

A coparentalidade já é uma realidade.

 

Breno Rosostolato, psicólogo, terapeuta e sexólogo.

Comments ( 2 )

  • É simplesmente inteligente esta nova forma de família pois nas formas tradicionais vemos pais tendo filhos que não foram desejado no naquele momento, pais que terminam e brigam criando traumas nas criança e a coparentalidsde veio ajudar amenizar esta situação, parabéns Taline obrigado pela sua inteligência e por ajudar a evoluir pra melhor.

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