Faça um filho comigo!

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“Eu quero ser pai desde quando me vejo por gente. Sou de família grande e sempre quis muitos ao meu redor. Quando descobri que sou gay, me veio um receio de nunca conseguir alcançar meu sonho, mas por pura imaturidade. Existem mil e uma maneiras para nos tornarmos pais, seja adotando, seja por barriga solidária, seja por coparentalidade. Não sabia o que significava o termo até não muito tempo atrás. Descobri por acaso, na internet, acredito. O fato é que, mesmo sem saber o nome correto, já estava envolvido com ela.

Em 2014, me mudei para a cidade onde moro atualmente e fiz grande amizade com meus vizinhos. A prima da vizinha veio morar comigo, onde dividimos uma casa em república. Essa garota, que se chama Fernanda, gostaria de ser mãe, e eu, pai. Através da bonita amizade que criamos, veio a ideia de sermos pais juntos, não necessariamente morando juntos, mas na mesma cidade. À ideia de ser pais sem um relacionamento romântico, descobri que é dado o nome de coparentalidade. Me lembra, de certa maneira, os casos de pais divorciados que continuam amigos.

A coparentalidade tem muita coisa para dar errado, para falar a verdade. Vide todos os receios que nossos familiares demonstram. As pessoas podem se mudar interiormente ou de cidade mesmo. Elas podem encontrar outros namorados(as). Elas podem não ser o que esperamos e, para um plano tão sério quanto ter um filho, todo cuidado é pouco. Conversei com a Fernanda e decidimos tentar usar o medo dos nossos familiares e amigos como medidas para nos preparar para as situações que eles nos ajudam a antever, mesmo que não tenhamos uma resposta para todas elas. Decidimos tentar usar o medo ao nosso favor, para nos fortalecer e não para nos congelar.

É muito sério se ter um filho e por isso tem que ser com a pessoa certa! Apesar de óbvio o raciocínio, a vontade de ser pais, às vezes nos faz esquecer da mega importância dele e eu acredito fortemente que a Fernanda é a pessoa certa para mim e eu para ela. Nós já moramos juntos – o que foi muito importante para nos conhecermos-, temos o mesmo background mineiro de cidade do interior, o mesmo estilo de criação e concordamos em muita coisa. Eu pretendo morar nesta cidade, e ela também. Pode dar errado? Pode, mas que pode dar certo, ah, isso pode também e vou lutar para conseguirmos!

Fernanda está na segunda faculdade, e eu gostaria de fazer mestrado ainda. Por mais que eu seja ansioso, é bom darmos tempo ao tempo e esta idéia estar muito madura. Tenho 30 anos e acredito que teremos daqui a três ou cinco anos este filho. No mais, é muito planejamento, paciência com a espera, um com o outro, e muita fé que Deus vai abençoar a nós e aos(às) nossos(as) filho(as)!

Giovanni Sena, 30 anos, engenheiro de petróleo

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Data : 08 jul 2017

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