Faça um filho comigo!

Solteiros

“Ainda jovem, optei pela coparentalidade responsável porque  meus pais tiveram uma separação muito difícil e não mediram  esforços para me poupar dos sofrimentos, levaram alguns anos até que tudo fosse aceito entre os dois, durante todo o processo da separação convivi com diversas brigas: por falta de pagamento de pensão, por não ajudar a cuidar, por não comparecer no fim de semana, nas festas e reuniões escolares, por ciúmes dos novos namorados. As dificuldades pós-separação me fizeram amadurecer muito e muito cedo. E a ter uma visão diferente da vida.

Cresci com o pensamento que eu deveria ser o oposto do que meus pais foram, eu sempre quis ser mãe, sempre quis poder gerar, educar e amar. Acho que a maternidade é uma das coisas mais fantásticas da vida, só que não queria que meu filho passase pelo que passei, não queria que ele sofresse com a ausência de amor do pai e nem que passasse pelo desgaste emocional  e psicológico que uma separação causa. E sempre que alguém me perguntava sobre, eu dizia: quero ter filhos, mas não quero que ele tenha pai.

E continuei assim com esse pensamento,  pesquisei algumas vezes sobre métodos de ter filhos sem pai e aparecia apenas as opções produção independente e adoção. Mas eu sabia que, no fundo, o que a ausência de um pai me causou. E sabia também que o problema não estava no pai,  estava na pessoa  que escolhemos para ser o pai e no método  que escolhemos para construir uma família. Eu comecei a não achar justo com meu filho, pois ele merece ter um pai.

Foi quando assistindo a uma novela, vi sobre o assunto “pais amigos”. Pesquisando no Google, encontrei mais sobre o assunto até encontrar o grupo Coparentalidade Responsável e Planejada. Então me interessei muito pela proposta do grupo, pelo fato de não haver nada além do interesse na maternidade/paternidade. Assim a criança não corre nenhum risco que as relações tradicionais oferecem.

Estou no grupo há quase dois anos e busco nele a oportunidade de dar ao meu filho um pai, vejo no grupo a oportunidade  de construir uma família diferente, desconstruída de preconceito e construída com muito amor, uma família onde a criança é a parte mais beneficiada por ter pais que realmente a amam.

Procuro por parceiro que seja acima de tudo meu amigo. Não faço exigências de orientação sexual, estou a aberta a ser mãe junto a um hetero, gay ou até mesmo casal gay. Mas que essa pessoa seja responsável, um pai amoroso, que tenha uma visão de amor da vida, uma pessoa calma, carinhosa, que participe e seja ativa na vida da criança, livre de vícios e, principalmente, livre de qualquer tipo de preconceito. Isso porque vivo no meio artístico,  com pessoas de todas as orientações sexuais. Eu vivo da dança e será nesse meio que a criança crescerá. Espero que esse alguém não veja a criança apenas como um gasto financeiro e que tenha o máximo de afinidades possíveis comigo em relação a criação, que seja uma pessoa flexível/maleável para que, em caso de distância, encontrarmos juntos a melhor maneira para criar a criança sem que ela seja prejudicada.”

Thayná Soares Rocha, 21 anos, professora de ballet

 


“Eu sempre quis ser pai. Não sei bem ao certo porque, acho que existo por alguma desesperada tentativa de reescrever alguns capítulos da minha vida, fazer por alguém o que sinto que não fizeram por mim; quero me sentir capaz de conseguir amar algo ou alguém desesperadamente.

Mas nunca existi em nenhum tipo de relacionamento sem me anular de alguma maneira, me sentir sufocado, julgado e mal amado. Penso que me amargurei por demais pela vida para as convenções que ditam todo relacionamento.

Mas como ser pai em um mundo que só concebe uma única forma de se relacionar?

Esta foi minha dúvida cruel, a única que levei comigo por tanto tempo. E Deus sabe o quanto eu tentei pela vias tradicionais existir tão somente.

Mas não, eu quero ser pai, mas não quero um relacionamento afetivo e por mais estranho que isso possa parecer não era possível que no mundo existisse somente uma pessoa que pensasse assim. Sempre achei que em algum momento encontraria uma filosofia, um modelo familiar que me abrigasse.

Foi quando um dia, lembro-me bem de ter sido assombrado noite adentro com um pesadelo que envolvia uma vida sem sentido, cor, brilho, intensidade – uma vida sozinho pela vida – que em uma pesquisa, destas que os dedos caminham pelo teclado e sozinhos escrevem as palavras certas no navegador, que encontrei e conheci a coparentalidade e este modelo ímpar de família.

Desde então minhas buscas, outrora insignificantes e frustrantes, passaram por uma repaginada e comecei a conversar com mulheres que pensavam como eu.

É fato que encontrar uma melhor amiga não é diferente que encontrar o grande amor da nossa vida, a busca na coparentalidade não é amenizada pelos participantes não quererem envolvimento afetivo, pelo contrário, ao se tirar a emoção e a subjetividade da equação, a racionalidade nos impõe questões acirradas e pensar criteriosamente uma criança com alguém é algo bastante difícil por vezes.

Mas eu adorei esta briga, por que ao menos é a minha briga e eu dedico a ela e a busca por essa parceira ideal uma quantidade enorme de tempo e energia, porque eu quero poder encontrá-la. A ela e a minha criança.”

Stênio Ribeiro, 32 anos, escritor

 


“Sou empreendedora e tenho estabilidade financeira, me considero uma pessoa com espiritualidade e me relaciono por amor com as pessoas. Filha mais velha de uma família linda, de 5 irmãos, tenho 3 sobrinhos e 4 cães também sobrinhos e amo todos.

Sou uma pessoa engajada desde sempre em ajudar a melhorar o mundo que vivo. Sou motivada, amo viajar, esportes, ler, trabalho com o que amo, tenho muitos bons amigos e me considero uma pessoa feliz.

Quero muito ter filhos (dois, ao menos (gêmeos sonhos de consumo)) e sempre acreditei na filosofia de que podemos criar seres humanos com amor, independente a rótulos e vínculos obrigatórios.

Gostaria de ter uma parceria no mesmo valor de condição. Unir o melhor de nós para dar o melhor ao mundo! Por isso acredito que a coparentalidade é um caminho para realização de sonhos.”

Andréa Soares, 40 anos, empreendedora social

 


“Fui criada nos tradicionais moldes de família mineira, ou seja, namorar, casar (para sempre) e ter filhos.

Tinha planos de ter meu primeiro filho antes dos 25 anos… Mas terminei um namoro iniciado na adolescência ao completar meus 23 anos… Daí começou a busca por um marido! Vários relacionamentos frustrados depois, comecei a me convencer de que a maternidade não era para mim, afinal eu nem queria mesmo (como usamos nossa mente contra nós próprios!!!).

Quando estava com 26, minha irmã concebeu minha primeira sobrinha. Diante da notícia, o primeiro comentário do meu pai foi: “vai ficar pra titia?!” Isso porque na época eu nem namorava… Dois anos mais tarde, o segundo sobrinho, o novo comentário: “ficou mesmo pra titia”.

Assim, cada vez mais me convencia de que não ia ser mãe, até porque tenho aversão à ideia de criar um filho sozinha. Acredito que precisa haver troca de experiência e apoio neste momento tão especial de se moldar uma vida.

Aos 33 anos descobri um mioma uterino. Nesse momento o mundo virou de cabeça pra baixo dentro da minha cabeça, afinal, tinha me convencido que não seria mãe, mas diante da possibilidade de retirada do útero esse sentimento maternal gritou dentro de mim.

Venho fazendo acompanhamento rigoroso do mioma e desde a descoberta do primeiro já apareceram mais 4.

No último exame de controle, em maio/2017, com meu tempo se esgotando sobre a decisão de engravidar, e o médico afirmando isso para mim, percebi que estava me enganando por muito tempo e que sim, sim e sim, quero ser mãe.

Procurei um amigo muito querido, homossexual, e lhe propus a paternidade. Ele enfaticamente negou, pois não é um desejo seu. Mas, como tudo é perfeito nesse mundo, ele conhece quem quer e me indicou um amigo, que acabou me apresentando o termo coparentalidade.

Gente, fui pro céu (e voltei, será?)! Todas as luzes se acenderam e sei que estou muito mais próximo de realizar meu sonho tão reprimido por anos! Agora sei que existem muitas e muitas pessoas que compartilham essa vontade, mas falta só um meio de se encontrarem.

Participando do grupo tenho certeza que já já terei uma parceria formada…

Já posso iniciar o ácido fólico? Rsss

JRCA, 37 anos, assistente administrativa

 


“Embora deva existir no Grupo outros pais divorciados ou com filhos, gostaria de relatar que meu interesse em coparentalidade é primeiramente porque gostaria muito de ser pai novamente, apesar de ser pai de dois filhos jovens.

Quando a gente constata que os filhos já estão bem crescidos e lembramos da época em que eram pequenos ou quando nos deparamos com algum bebê, vem aquela sensação de “gostei da brincadeira e quero mais”.

Sei que na minha idade, deveria mesmo é aguardar pela chegada dos netos, mas minhas boas condições de saúde e toda a experiência que adquiri anos atrás cuidando dos meus filhos, me animam a sonhar com mais um herdeiro. Pouca coisa neste mundo, na minha opinião, é mais gratificante do que cuidar, educar e conviver com crianças, nem que seja por alguns períodos ou horas na semana.

E por que a opção pela coparentalidade? Porque desde pequeno eu nunca acreditei na felicidade mútua do tipo “até que a morte nos separe”, ainda mais agora depois do meu divórcio. Acho que a vida moderna, cada vez mais, cria situações que dificultam a convivência permanente e que após a fase do romance ou encantamento a convivência pode ser muito estressante ou até meio tóxica. Assim, desejo para o meu futuro filho, ser um pai que realmente se interessa por ele e contribua para a sua segurança, seu crescimento saudável e boa educação, contudo não enxergo mais a reprodução como algo que possa obrigar pais com objetivos, temperamentos e comportamentos distintos coabitarem o mesmo lar.

Pra concluir este texto, relato que sempre fui uma pessoa muito solidária e por já ter presenciado muitos casos de mulheres que adiaram demais a decisão de ter filhos (inclusive na família), por motivos profissionais, segurança ou por julgarem desafortunadas no encontro da alma gêmea ou marido ideal, sugiro ou me coloco a disposição para estas mulheres, preferencialmente residindo no litoral de SC.

Não deixem de buscar seu sonho, de ser mãe, por falta de um companheiro perfeito, pois, é perfeitamente possível duas pessoas, sem muitas afinidades no estilo de vida ou até com grande diferença de idade (meu caso),  formarem uma parceria de coparentalidade que resulte num filho(a) lindo(a) que vai trazer muita alegria e felicidade para ambos os parceiros, mesmo que a convivência não seja constante.”

AGS, 54 anos, administrador

 

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Data : 08 jul 2017

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